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   A CONSTRUÇÃO NAVAL
Descoberta pela expedição de Américo Vespúcio à costa brasileira em primeiro de janeiro de 1502, desde então a Baía de Guanabara passou a ser considerada uma região ideal para o abrigo de embarcações, a recuperação e construção de navios.
Em fins de abril de 1531, a expedição de Martin Afonso de Sousa chegou ao Rio de Janeiro, aí permanecendo três meses. Logo, em terra, instalou a ferraria e construíram-se, no Caju, dois bergantins (escuna com velas quadrangulares em dois mastros) de 15 bancos, cada, utilizando-se para isso a mão-de-obra dos índios Tamoios.
Em 1666, surge na Ilha do Governador uma Fábrica de Fragatas, situada na ponta do Galeão, de onde lhe vem a denominação. Nesse estabelecimento foi construída a famosa nau Padre Eterno, tida como o maior navio existente no mundo. Asserção difícil de provar, por falta de dados estatísticos abrangentes, mas o certo é que era um navio muito grande, que mereceu até ser mencionado no livro Description de l'Univers de H. Manessen-Mallet.
Pode-se reconhecer, desde então, que estava reservada à Baía de Guanabara desenvolver em seu interior a vocação para a indústria naval, o que ocorre até hoje.



De importância para a indústria naval fluminense, em especial a do interior da Baía de Guanabara, foi a mudança da sede do governo do Estado do Brasil, em 1763, da Cidade de Salvador, na Capitania da Bahia de Todos os Santos, para a de São Sebastião do Rio de Janeiro, na capitania do mesmo nome. Essa transferência refletiu a maior importância, desde o início do século XVIII, assumida pelas regiões do Centro-Sul do país.
E foi na administração do Conde da Cunha (Dom Antonio Álvares da Cunha), de 1763 a 1767, quando se iniciou a construção dos arsenais de Guerra e Marinha, em atendimento às exigências da grave situação militar da época. O Conde da Cunha, primeiro vice-rei a residir no Rio de Janeiro, melhorou também nesse período as fortificações cariocas até então existentes.



O primeiro navio construído no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro foi uma nau de grande porte, a São Sebastião. Lançada ao mar em 1767, deslocava cerca de 1400 toneladas e era armada com 64 canhões. Suas dimensões competiam com as das maiores naus inglesas da época.
Para o desenvolvimento da navegação e a liberdade comercial ocorrida, a abertura dos portos às Nações em 28 de janeiro de 1.808, contribuiu muito. Um ano depois, em 1809, as construções navais foram, oficialmente, auxiliadas por um alvará, responsável pelo incremento às atividades de vários estaleiros no Rio de Janeiro, Salvador e Recife.
Entre 1846 e 1875, o Barão e Visconde de Mauá (Irineu Evangelista de Sousa), dava início à construção naval em estaleiros da Ponta da Areia, na Baía de Guanabara. Outro centro de importância na construção naval brasileira, construiu mais de uma centena de navios. Mais tarde denominado Estaleiro Mauá Cia. Comércio e Navegação e atualmente Estaleiro Mauá Jurong S/A.

Do final do século XIX ao início do século XX, a construção naval brasileira entrou em decadência. As encomendas em 1919-1922 não passaram de três navios mercantes fabricados no estal


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